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Análise das Eleições 2020 no Brasil

Nas eleições brasileiras realizadas recentemente tivemos resultados que nos deveriam levar à reflexão. Assim, diante de tais resultados temos, de um lado, a ‘direita’ alegando que se saiu vitoriosa. Afinal, os dados mostram uma queda vertiginosa do PT, indiscutivelmente o mais influente partido de esquerda do Brasil. Além disso, partidos como Psol tiveram um impacto pífio. Embora se tenha colocado uma lupa sobre alguns casos isolados de vitória de candidatos do Psol a vereador (especialmente sobre os mais esdrúxulos), o fato é que eles terão pouquíssima relevância na medida em que os maiores percentuais da população ficarão sob a gestão de partidos como PSD, MDB, PSDB, DEM e PP. Tais partidos, notoriamente chamados de “centrão” (supostamente nem à esquerda nem à direita), terão sob sua tutela a maior parte das cidades brasileiras.


Não obstante, do outro lado temos a ‘esquerda vetusta’ afirmando que a direita saiu perdendo na medida em que nosso Presidente não causou grande impacto nas eleições, não se saindo bem como influenciador na escolha de seus candidatos nesse pleito.
Com efeito, aqueles que leem meus textos em ‘A Verdade’ e no ‘JCO’ sabem que me situo no espectro do que se poderia chamar de ‘direita’, especialmente em virtude de minhas posições conservadoras e liberais. Não apenas isso, é manifesto meu acordo com o atual governo federal, sobretudo na medida em que o vejo como nossa única (e talvez derradeira) alternativa de prosperidade (social, econômica, moral, etc). Embora eu não simpatize com qualquer tipo de messianismo político, estamos em um momento sui generis para os conservadores, para todos os que querem assegurar a preservação daqueles valores e instituições que avalizaram a consolidação do mundo civilizado (economia de mercado, propriedade privada, liberdade, família “tradicional”, defesa da vida humana individual desde a concepção, etc).


Mas um fato que cabe ser destacado inicialmente é o seguinte: não temos, no Brasil, um partido ‘de direita’. Não temos um partido que corporifique os princípios conservadores. Obviamente temos alguns indivíduos que defendem tais princípios. Mas mesmo dentre eles há muitas vezes confusão, desorientação moral, falta de base teórica para sustentar seus princípios, etc. Sem falar que na direita ainda vige a desunião. E, em virtude de sua desorganização, ela se tornou alvo fácil para oportunistas, alguns dos quais já foram devidamente desmascarados. No entanto, muitos deles ainda estão, como parasitas, consumindo seu hospedeiro.


A esquerda, por outro lado, se consolidou e fez trincarem nossos pilares justamente por ela não apenas ter partidos políticos perversamente eficientes, mas por ser articulada e operar de forma coordenada a partir de uma agenda comum. Com isso ela assegurou que chegássemos ao atual estado degenerescente em que vivemos. Ela conseguiu fazer com que nossas instituições deixassem de proteger e fomentar seus valores fundamentais: as instituições de ensino já não promovem o conhecimento, mas a ignorância; o judiciário já não garante a justiça, mas seu oposto; a grande mídia já não busca pela verdade, mas nos tenta impor narrativas mentirosas; as ditas belas artes já não enaltecem a beleza, mas a feiura e a vulgaridade; a política já não busca assegurar o bem comum, mas os interesses perversos de grupos e indivíduos.

Então, diante dessa realidade nos cabe admitir que a esquerda foi malignamente eficiente no vilipêndio de nossas instituições e de nosso tecido social moral.
Todavia, o que me parece estar ocorrendo nesse momento é o advento de uma previamente planejada “nova ordem mundial” (conhecida também como “globalismo”), a qual representa, a meu ver, uma versão mais sofisticada da esquerda (sem que haja identificação plena entre elas). E, dado se tratar de uma visão com viés socialista, ela também é centralizadora (planificadora) e coletivista. Portanto, ela parte de uma ideia de sociedade (engendrada por seus artífices) e a tenta impor em detrimento da realidade e do indivíduo, em uma tentativa (até esse ponto bem sucedida) de fazer desvanecer a tradição.

Porém, a sociedade “tradicional” que se pretende fazer colapsar não foi, por sua vez, planejada. Ela surgiu e se consolidou espontaneamente. Em suma, seus valores e instituições se consagraram ao longo do tempo e a partir da experiência, sendo, por essa razão, defendidos pelos conservadores.


Sem embargo, a ideia de uma “nova ordem mundial” não é recente. Mas, cientes de que uma mudança radical envolve a destruição não apenas da casa, mas mesmo de seus alicerces, os titereiros do globalismo manipularam eficientemente seus títeres da esquerda, os quais levaram a efeito a fragmentação de nossos fundamentos civilizacionais.
No entanto, agora os “globalistas” começam a se mostrar. A esquerda, tal como a conhecemos, está se desfazendo na medida em que está se tornando obsoleta. O que tem avançado, hoje, é o globalismo, o qual não se identifica com a esquerda tal como ela se consolidou. Nosso imaginário ainda está enraizado nas ideias comuns de direita e esquerda, e não nos apercebemos que há um terceiro player aqui: o globalismo. Acredito que, nesse momento, deveríamos voltar não apenas nossas atenções para ele, mas, mesmo, nossas “armas”. Por mais de um século seus artífices operaram silenciosamente. Todo aquele que os denunciasse era acusado de ser teórico da conspiração. No entanto, recentemente eles passaram a falar publicamente.

E o estão fazendo em uníssono: falam na necessidade de uma “nova ordem mundial”, de um “great reset”, de uma “religião mundial”, de uma “tecnocracia global”, de uma “renda de cidadania”, de um “acordo verde”, do “fim da propriedade”, do “transhumanismo”, etc. Não apenas isso, declaram que a atual pandemia foi uma “oportunidade” (criada ou acidental?) para que se efetivasse essa “nova ordem mundial”, a qual foi pormenorizadamente planejada e está sendo diligentemente executada. Nesse sentido, eles recentemente estimularam ativamente os lockdowns, a obrigatoriedade do uso de máscaras e de uma futura vacinação, etc. Desse modo, ainda que não seja exatamente de esquerda (pelo menos no sentido tal como esse termo está gravado em nosso imaginário), o globalismo é inerentemente coletivista e planificador, bem como avesso a certos valores fundamentais, como liberdade, individualidade, propriedade privada, etc.


O que estamos observando, segundo vejo, é o emergir do ‘deep state’. Ele está saindo das sombras, vindo à luz. E o está fazendo porque faz parte do plano que assim seja. A pandemia do novo coronavírus foi apenas a ocasião, ou, como eles mesmo dizem, a “oportunidade” perfeita para eles se revelarem e anunciarem seu plano para a criação de uma sociedade tecnocrática global de jaez coletivista. Isso foi anunciado por um dos artífices do globalismo, David Rockefeller (em 1994, em um jantar da ONU em Nova York): “estamos à beira de uma transformação global. Tudo o que precisamos é da grande crise certa, e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial”. Pois é, a “grande crise certa” chegou em 2020. E uma de suas primeiras “vítimas” foi nossa liberdade individual. Mediante o medo e a dependência nos submetemos voluntariamente a eles.

Medo, pois a narrativa do horror em torno da Covid-19 foi eficientemente levada a efeito pela mídia. Dependência, uma vez que a crise econômica causada pelo lockdown levou (e aqui tenho em mente apenas o Brasil) ao fechamento de centenas de milhares de empresas e, consequentemente, a milhões de desempregados, carentes de auxílio estatal. Certamente algumas vozes têm ousado destoar da narrativa oficial, denunciando os planos perversos por detrás dos acontecimentos que seguem se desenrolando e que nos levarão a uma realidade sinistra caso não esbocemos, em defesa de nossa liberdade e individualidade, uma reação robusta. No entanto, tais vozes têm sido silenciadas, especialmente mediante sua ridicularização na mídia. E isso ocorre não apenas com acadêmicos importantes, mas mesmo com chefes de estado, últimos bastiões da liberdade, da individualidade, os quais têm sido cerceados e vilipendiados.


Nesse sentido, embora com outras estratégias, o globalismo também insiste em um modelo de governo com permanente e rigoroso controle comportamental.

A obrigatoriedade do uso de máscaras, por exemplo, serve como paradigma para esse controle. Ainda que diversos estudos questionem sua eficiência, tais estudos (tal como ocorre com os que questionam o lockdown) são ignorados deliberadamente. Simplesmente imergimos em um obscurantismo, abrindo mão de nossa individualidade e liberdade, assim como do conhecimento. E o processo está em andamento, pois estamos nos aproximando rapidamente de um sistema similar ao sistema de crédito social vigente na China, em que os cidadãos vivem em uma espécie de reality show (monitorados por milhões de câmeras espalhadas por toda a China, as quais possuem um sofisticado sistema de reconhecimento facial) em que suas ações são acompanhadas permanentemente pelo partido comunista chinês, de tal forma que lhes são atribuídos pontos pelo seu comportamento.

Cidadãos com pontuação negativa se tornam párias, são execrados publicamente e praticamente perdem seus direitos mais fundamentais. Não podem viajar, colocar seus filhos em boas escolas, etc. Nesse momento, algo similar ocorre em supostas democracias ocidentais. Sujeitos que decidem não usar máscaras, ou que não mantenham a distância permitida, são vistos como “maus” (recentemente foram denominados inclusive de “sociopatas”). Em breve também será discutida a obrigatoriedade da vacinação. Na verdade, algumas propostas sobre a vacinação estão vindo à tona. Alguns julgam que ela deve ser imposta diretamente. Outros, “menos radicais”, sustentam que se conceda aos vacinados uma espécie de “passe”, sendo que sujeitos com tal “passe” poderiam exercer “livremente” seus direitos. Os que se negarem sofrerão cerceamento de suas liberdades. E, obviamente, se tornarão párias para a sociedade. Isso está em acordo com a proposta de jaez globalista do ‘Fórum Econômico Mundial’, o qual está propondo que os governos considerem uma vacinação obrigatória e uma espécie de “passaporte mundial” (APP) com rastreamento genético, visando identificar indivíduos que representem uma “ameaça sanitária”.


Em suma, se trata de outra versão do crédito social chinês. Acrescente-se que, em virtude da crise econômica manufaturada, os indivíduos se tornaram reféns de uma espécie de “renda mínima” estatal (algo, aliás, defendido pelos globalistas, recentemente pelo ‘Fórum Econômico Mundial’). Aliada a essa ideia vem à tona também a ideia de saúde para todos, uma espécie de SUS em proporções mundiais. Tudo isso, é claro, sob a ideia de “justiça social”. Vejam que há, inquestionavelmente, diversas similaridades entre a esquerda que aqui chamo de vetusta, em virtude de sua obsolescência, e o globalismo.

No entanto, esse último representa o “admirável mundo novo”, uma distopia tecnocrática coletivista sem Deus, sem liberdade e sem individualidade. Tal visão de mundo será coroada em 2021, no próximo ‘Fórum Econômico Mundial’. Em seu site, a propósito, encontramos diversos materiais informativos que escancaram suas intenções até recentemente mantidas na penumbra. Assim, a declaração oficial do “grande reset” acontecerá em 2021. Dentre seus articuladores teóricos estão nomes como Thomas Piketty e Joseph Stigliz, ambos de viés socialista e intervencionista. Dos temas, ou diretrizes, em discussão nesse próximo fórum temos:


Aquecimento global; acordo verde; tributação de grandes fortunas; criação de barreiras para a indústria da carne (lembram que a ONU está propondo que passemos a consumir insetos para termos proteínas?) e do petróleo, etc. Mas há ainda algo mais sinistro: criação da vacinação obrigatória e de um passaporte mundial com rastreamento genético.

Em suma, estamos diante de uma distopia que, se concretizada, colocará fim à nossa liberdade e à nossa individualidade.


Sem embargo, a meu ver essa é a visão de mundo vencedora nessas eleições. Penso que que a maior parte da população será administrada em acordo com as diretrizes que mencionei acima. Por certo teremos vozes discordantes, especialmente na ‘direita’, entre conservadores e liberais. Mas elas certamente serão duramente combatidas. Os partidos que efetivamente se saíram em vantagem nessas eleições definitivamente não são de “direita”. Não apenas porque não temos partidos realmente de direita, mas também porque tais partidos estão em profundo acordo com a agenda globalista cujo propósito é instaurar em definitivo sua ideia de uma “nova ordem mundial”. Tal ideia não é mais apenas uma abstração: ela está se impondo a partir dessa “oportunidade” causada pela pandemia. E os partidos vencedores nessa eleição apenas a consolidarão.

Graduado, Mestre e Doutor em Filosofia, com Estágio Doutoral na State University of New York…