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Entre o Estado e a Economia

1

Para o indivíduo, o mercado é um meio de trocas; para o Estado, um meio de apropriação das próprias trocas e seu controle.

2

É completamente possível a existência daquele que se coloca contra a expansão estatal e, ao mesmo tempo, usa o Estado ao seu favor – aliás, foi o caso de Thoreau, que disse: “eu serenamente declaro guerra ao Estado, a meu modo, embora eu ainda possa vir a usá-lo e obter dele as vantagens que puder”; já Max Stirner expandiu argumento semelhante, porém acrescentando a ele também aqueles que pensam ajudar a evolução do estatismo, e declarou que o próprio fato de todos usarem a máquina estatal ao seu próprio favor (o que hoje vemos pelos grupos ideológicos internos às democracias), isto é, de modo egoísta (cada um quer o Estado segundo a imagem e semelhança de seu próprio ideal), conduzirá ao fim do próprio estatismo – na medida em que todos anseiam pela propriedade estatal, todos contribuem simultaneamente para a sua derrocada.

3

Muitos acreditam fugir do jogo do mercado adentrando o Estado. No entanto, depois que lá dentro estão, chegam, por vezes, a notar que mesmo aí tudo não passa de ânsia por cargos, mando, disputa de egos, meios econômicos e propriedades, ou seja, a mesma coisa da qual tentou fugir afastando-se do mercado, porém com um pouco mais de lentidão, burocracia e politicagem.

4

O Estado morre primeiro dentro dos indivíduos, na medida em que estes o dessacralizam, e, posteriormente, tende a morrer em sua exterioridade e concretude.

5

O politicamente correto parece se basear na ideia de que as coisas podem existir – incluindo toda sorte de bizarrices –, mas elas só não podem ser chamadas por aquilo que são de fato: a longo prazo isso não apenas incapacita as pessoas de expressarem a realidade, mas também de vê-la: primeiramente a boca é fechada, depois os olhos e ouvidos… Por fim é o cérebro que definha.

6

Muitos “revolucionários” apenas aparentemente são homens de mudanças: pois, quando bem investigados, podem ser vistos como aqueles que mais pedem por burocracias e intervenções estatais, fontes de perpétua estagnação e não de mudanças e liberdades.

7

“Equilíbrio” e monopólio andam juntos: o mercado, tal como a consciência, desintegra-se constantemente, e é precisamente tal capacidade de unidade no desequilíbrio aquilo que lhe traz uma elasticidade estrutural permanente – e assim podemos fazer o uso metafórico do conceito do psicólogo polonês Dabrowski sobre a consciência humana, embora desta vez aludindo ao mercado: de que existe aí, por fim, uma “desintegração positiva”.

8

Uma necessidade impessoal, como aquelas oriundas de certos mecanismos estatais, está mil vezes mais sujeita a tornar-se fonte de consequências arbitrárias do que uma necessidade pessoal e concreta, isto é, não coletiva, mas sim individual: aqui se tem uma real direção, enquanto lá, nebulosidade e dispersão.

9

Se alguém pode usar politicamente o que criticou ontem como o critério mesmo de valor para julgar um fato no dia seguinte, mostra com isso apenas seu completo oportunismo: um tal cinismo político pontual tem gerado, como consequência, um ceticismo político geral.

10

Há pontos em política e economia nos quais ou somos intransigentes ou nos tornamos escravos.

Maestro, compositor e escritor, com 6 livros já publicados. Bacharel em composição musical…