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Estética e Criatividade

1

Grandes artistas são, simultaneamente, muitas vezes, homens de ação: a força criativa, nestes casos, está aliada a uma obstinada e vigorosa força capaz de imprimir suas produções sobre o mundo, sem o quê abismar-se-iam numa espécie de ascetismo artístico infértil (muito comum entre professores e eruditos). Com efeito, tanto o hábito da criação quanto aquele de trazer à tona os meios para a realização e a divulgação desta perfazem os caminhos da ação, para além da criatividade artística ou das ambições mais teóricas – e a ausência de uma tal consciência da dualidade entre arte e ação priva, vale dizer, diversos artistas da prosperidade em suas carreiras.

2

Os poetas, em geral, não buscam, como os cientistas, a realidade concreta, por assim dizer, mas a realidade concreta por meio da realidade sentimental – por isso podem soar, muitas vezes, até mesmo mais “verídicos”: pois na efetividade dos fatos as duas realidades estão misturadas.

3

Poucos são aqueles que conseguem se limitar em suas necessidades imitativas, a fim de obterem foco apenas naquilo que lhes é mais próprio. O artista aprende desde sempre a imitar seus predecessores, e isso pode confundir sua ambição: emular artistas distintos e gêneros artísticos vários pode lhe ser tentador, na medida em que lhe traz desafios; por outro lado, o caminho a percorrer aí é maior, e portanto mais facilmente poderá se perder. Por esses motivos, a limitação da ambição é tão importante quanto uma capacidade de imitação focada, que, a longo prazo, pode propiciar uma maior capacidade de foco em si e naquilo que lhe é mais peculiar e que está em maior consonância com seu talento específico.

4

Nada mais difícil de ser encontrado nas artes atuais do que claridade sem vulgaridade.

5

A música que carrega consigo uma letra “moral” quer tornar o homem “consciente” através de uma inconsciência (aquela nascida da subjetividade da música instrumental): o que de fato é bem paradoxal, e talvez justamente por isso a moralização pela música seja algo tão “ineficaz” e, em certa medida, até mesmo cômico.

6

O ato criativo contem em si mesmo antagonismos complementares que auxiliam seu próprio desdobramento: por um lado, a “inveja” e a disputa do artista perante seus contemporâneos mais criativos; por outro, seu senso de comunidade com estes: as primeiras o tornam desconfiado e competitivo, enquanto este último o faz aprender que sem a influência de outros ele não poderia ir tão longe, até mesmo no que diz respeito à inovação, já que esta sempre vem acompanhada de algo produzido anteriormente por outros artísticas ou pensadores.

7

O interesse superior em uma dada área geralmente nasce daqueles que almejam nela criar.

8

Muitos se identificam apenas com livros, músicas e artes nas quais podem projetar a si mesmos: espelham na criação alheia suas próprias limitações, ao invés de usá-las precisamente para ultrapassarem a si próprios.

Maestro, compositor e escritor, com 6 livros já publicados. Bacharel em composição musical…